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A felicidade é como a saúde: se não sentes a falta dela, significa que ela existe.

O que lucrou a espécie humana? Anterior Seguinte

O que lucrou a espécie humana?

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  Grafismos Graphics    Nikon D90  

Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazeis caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? - Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.

Em «Viagens na minha Terra», de Almeida Garrett.

  Informação técnica

Fotografia N.º: 4804

Publicado em: 2023-08-08

Grupo: Grafismos #Graphic

 Câmera: Nikon D90

 Abertura: f 9

 Distância focal: 170 mm (35mm equiv.: 255 mm)

 Velocidade do obturador: 1/80 sec

 Flash: Não Disparado No flash

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  Escolha da semana

Estive a carregar baterias e sem tempo para fazer a escolha desta semana.
;-)

  Comentários

Existem 7 pontos de vista. Quem será o próximo?
01
A
Ana Lúcia
em 2023-08-08 08:32

Extraordinário como o texto de Almeida Garrett se aplica nos nossos dias. Que pena que nunca tenhamos lido, que pena que nunca tenhamos refletido, que pena que a humildade não tenha entrado nos nossos desejos e objetivos, vivemos hoje, ainda cegos, o que "plantámos",o que constinuamos a destruir. Continuamos cegos. Inacreditável essa construção, bela, com alguma poesia e romantismo... Para que servirá? Terá valido a pena cortar a árvore que aí crescia antes?

02
M
Manu
em 2023-08-08 08:52

Um texto para meditar.
Hoje o betão destruiu campos agrícolas, acabou com o verde das paisagens para que alguns enriquecessem e outros ficassem cada vez mais pobres.
Triste mundo este :(

03
W
Willem
em 2023-08-08 18:00

Nice repetition of details in this photo.

04
R
Roadrunner
em 2023-08-13 09:52

Um tema sempre actual que o Almeida Garrett muito bem abordou.
Se o que lucramos é algo idêntico a esse mamarracho...

05
L
Lis
em 2023-08-13 13:35

Seus amigos comentadores disseram tudo_ nada preciso acrescentar.
Triste sina a nossa !
_e o texto, execelente e bem ao nosso tempo, se não pior...

06
R
Remus
em 2023-10-05 19:42

Muito obrigado pelos vossos comentários. Eles são sempre muito apreciados.

Ana Lúcia: Para que servirá esta coisa? Penso que é um miradouro. No interior tem umas escadas e de lá do alto, a vista deverá ser bonita. Se valeu a pena cortar as árvores que aqui existiam? Claramente não valeu a pena. :-S
Willem: I am beyond grateful.

07
A
Ana Lúcia
em 2023-10-05 20:55

;) Apesar do que sei, até prefiro eucaliptos a nada...